domingo, 9 de setembro de 2007

JANELA POÉTICA

Eterna Juventude

Salmo 103:5 (Que farta a tua boca de bens, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia.)

Autor Gióia Júnior

Senhor, o tempo foge aos saltos, aos arrancos.

vai-se o brilho do olhar, vêm os cabelos brancos.

A mocidade passa e, sem que se pressinta,

a velhice depois é uma fogueira extinta...

O tempo esmaga o corpo, aperta a fronte, encurva.

a coluna de prata e torna baça e turva

a nitidez azul do espaço indefinido...

O olhar, indagador, misterioso, atrevido,

que alcança a curva ideal da imensidão que embriaga,

é como um círio aceso e que depois se apaga...

Não quero envelhecer, quero esta agilidade.

em sublime, perpétua, heróica mocidade...

Quero voltar. Senhor, ao meu desembaraço.

que sorvia num salto a vertigem do espaço.

Revivescer! Ressuscitar! Felicidade!

Sentir recuperada a antiga agilidade...

Romper com a manhã, sem preconceitos falsos,

o cabelo revolto, os pezinhos descalços...

O corpo é como o bronze o tempo num momento

transforma, desfigura o altivo monumento!

Senhor, cuida de mim, Esperança Imortal,

quero revivescer na vida espiritual,

quero ressuscitar, sepultar o homem velho

e ser um porta-voz da nova do evangelho...

Satisfaze a esta sede imensa de verdade...

Transforma numa glória a minha mocidade...

Deus do Bem e do Amor, da Paz e da Virtude,

conserva para sempre a minha juventude!

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